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CONTROLE DE PLANTAS TÓXICAS
Além do controle mencionado para cada espécie, recomendam-se as principais práticas de controle de plantas daninhas em pastagens. Há vários métodos de combater plantas tóxicas, que devem ser adequadas para cada ambiente, porém, no Pantanal não são de fácil aplicação, devido à extensão das áreas e pelas restrições quanto ao impacto ambiental. 

A erradicação ou eliminação completa de uma espécie nativa seria inviável. Os métodos de controle podem ser agrupados em mecânicos (corte, anelamento do caule, desenraizamento, queima, etc.), químicos (herbicidas) e biológicos. Para a escolha do controle mais adequado para determinada espécie tóxica, é sempre recomendável a orientação de um técnico.


Desenraizamento
Corte manual
Roçadeira
Rolo-facas
Anelamento da casca
Queimada
Herbicidas
Manejo da pastagem
Controle biológico
Utilização econômica

Desenraizamento– O mais simples é com o uso do enxadão, impraticável em grandes áreas no Pantanal, por ser muito trabalhoso. É eficiente e seguro para o ambiente, mas requer constante observação quanto à reinfestação. Há implementos agrícolas, mas seu uso não seria viável para plantas em baixa densidade, como é a maioria das espécies tóxicas do Pantanal.

Corte manual – Demanda muita mão-de-obra, que, no caso do Pantanal, seria antieconômico, exceto em áreas menores, como ao redor da sede da fazenda, e de maior infestação de plantas.

Roçadeira – É um implemento muito utilizado em pastagens cultivadas, mas com limitações em pastagens naturais do Pantanal onde haja muitas árvores. Esta prática é paliativa, pois logo pode vir a rebrota e o problema tende a se agravar. Ocorre ainda que as folhas de certas plantas tóxicas se tornam mais palatáveis quando murchas ou secas, como as da mamoneira.

Rolo-facas – Há alguns modelos no comércio, outros de fabricação artesanal. Funciona para controle de plantas sensíveis a danos na base, como o fedegoso e o caruru, mas pode ter efeito contrário em arbustos com órgãos subterrâneos.

Anelamento da casca – Como o anterior, é trabalhoso, podendo-se usar foice ou facão. Na Austrália foi desenvolvida uma ferramenta especial para acelerar essa operação.

Queimada – É pouco útil, pois as plantas tóxicas geralmente têm sistemas subterrâneos e rebrotam antes das gramíneas, podendo aumentar o risco de intoxicação, porque aumenta a proporção na dieta. As plantas anuais em geral são sensíveis ao fogo, entretanto, podem germinar e aumentar após a queimada, como caruru e fedegoso. Funciona bem no caso de plantas recém germinadas e jovens. Por outro lado, o fogo pode favorecer a germinação de espécies como fedegoso.

Herbicidas – O uso de produtos químicos é dispendioso, embora possa ser muito eficaz. Porém, no Pantanal não é um método recomendável, dada a possibilidade de efeito tóxico direto para outras plantas e o risco de contaminação do ambiente. 

Entretanto, a aplicação dirigida, mediante o pincelamento ou a pulverização no toco, é eficiente e usa quantidades muito reduzidas de produto, causando pouca poluição. No material vegetal morto logo se instalam cupins e outros organismos decompositores, e se reinstalam plantas sucessoras, indicando que o efeito residual de herbicidas do tipo hormonal é pouco preocupante. O uso de herbicidas deve obedecer as normas vigentes.

Manejo da pastagem – De modo geral, evitar excesso de lotação é uma das alternativas para reduzir a incidência de intoxicação, por duas razões principais:

a) não faltando pasto, os bovinos não sofrem de restrição alimentar (fome) e têm maior oportunidade de selecionar apenas plantas forrageiras; o pastoreio rotativo favorece o consumo de plantas tóxicas, porque reduz a seletividade;

b) as pastagens não degradadas têm menor infestação por plantas invasoras e tóxicas.
Portanto, evitar a concentração de gado em áreas críticas, mudando os cochos de lugar. Nas manchas já infestadas por planta tóxica, cercá-las.

Controle biológico – É a utilização de inimigos naturais, como insetos, fungos, etc. que sejam predadores ou parasitas específicos das plantas indesejadas. Entretanto, este método necessita de muita pesquisa prévia e tem pouca eficiência onde as plantas estão em estado nativo, portanto, adaptadas à ação dos inimigos. Este método não está livre de risco ambiental, pois o organismo introduzido pode se tornar problema. 

Utilização econômica Associado ao corte, pode ser feito o aproveitamento econômico de algumas plantas tóxicas, uma forma de controle que é compatível com a conservação da natureza. Exemplos de espécies tóxicas com potencial de utilização:
a)Barbatimão: fonte de tanino e casca medicinal, utilizados regionalmente.

b) Espichadeira: fármaco veterinário potencial, já comprovado como fonte de suplemento vitamínico (vitamina D) contra o problema de ovo de casca mole em aves de postura, contra a febre do leite em vacas de alta produção, e para acelerar regeneração óssea em fraturas. Possivelmente tenha até utilidade para uso humano, contra raquitismo e osteoporose.

c) Fava-de-anta: fonte de rutina, já muito explorada comercialmente e que o Brasil exporta, como matéria prima para remédio, já havendo até projetos de cultivo, pois as áreas com populações naturais têm diminuído.

d) Mamona: a semente é oleaginosa, de bom valor comercial.

e) Ximbuva: madeira, utilizada regionalmente na construção de canoas.


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