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5.1 Definição É um processo infeccioso da pele que acomete bovinos, além de outras espécies, causado pelo Dermatophilus congolensis que se caracteriza por uma dermatite exsudativa, com necrose, acantose e formação de escaras. Também é conhecida por estreptotricose cutânea. 5.2 Etiologia O D. congolensis é um actinomiceto anaeróbio facultativo, gram-positivo. Seu habitat natural é desconhecido, provavelmente seja um saprófita do solo ou da pele dos animais. Animais infectados assintomáticos são considerados os reservatórios primários da doença. 5.3 Epidemiologia A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose (Manual Merck, 1991). A maior prevalência da enfermidade nos períodos chuvosos, talvez seja devida à contínua umidade da pele que favoreceria a infecção e difusão da doença. Animais jovens são mais propensos a serem afetados que bovinos adultos. A transmissão resulta do contato direto entre os animais ou por meio de cercas, postes, cochos etc. contaminados. Pode ocorrer também por meio de insetos sugadores, que atuam como vetores mecânicos, ou devido a escoriações na pele (Blood & Henderson, 1978; Belschner & Marshall, 1984). 5.4 Patogenia A bactéria, ao penetrar na epiderme, causa um processo inflamatório agudo que leva a um acúmulo de exsudato, pêlos e fragmentos, que produzem crostas características. Na maioria dos casos a lesão parece ser autolimitante, regredindo espontaneamente após um período de duas a três semanas. Nas infecções crônicas, a doença pode persistir por meses (Blood & Henderson, 1978). 5.5 Sintomas Clínicos As lesões podem ocorrer em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço (Blood & Henderson, 1978; Belschner & Marshall, 1984). A doença normalmente é descoberta pela presença de elevações abaixo do pêlo. As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pêlo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados (Ristic & McIntyre, 1981). Em estágios mais avançados a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas pelos pêlos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pêlos. Nos estágios finais, há perda intensa de pêlos, com formação de casca acentuada e pregueamento da pele (Blood & Henderson, 1978). Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham a barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso (Alvarez, 1994). A reinfecção pode ocorrer, principalmente em animais jovens, embora o nível de anticorpos adquiridos possa combater alguns poucos zoosporos transmitidos por carrapatos ou moscas (Ristic & McIntyre, 1981). 5.6 Diagnóstico O diagnóstico deve estar baseado no quadro de lesões apresentado pelo animal e confirmado com auxílio laboratorial, através da confirmação da presença do D. congolensis em raspados ou biópsias da região abaixo da crosta da lesão. O histórico da presença da doença em épocas anteriores pode também auxiliar o diagnóstico. 5.7 Diagnóstico Diferencial Deve ser feito para outras enfermidades da pele que causem lesões que possam se assemelhar a alguma das fases da doença (dermatomicose, papilomatose, sarna etc.). 5.8 Tratamento Os antibióticos administrados parenteralmente constituem-se no tratamento mais eficaz para controle da dermatofilose. A penicilina ou a estreptomicina são recomendadas em dois tipos de tratamento, ou em uma única aplicação em altas doses (70.000 UI/kg PV de penicilina ou 70 mg/kg PV de estreptomicina), ou em doses diárias (5.000 UI/kg PV ou 5 mg/kg PV, respectivamente) durante cinco dias. A oxitetraciclina também pode ser usada no controle de surtos da doença (20 mg/kg PV). As aplicações tópicas geralmente
são pouco recomendadas, devido as dificuldades para que o produto
atinja as camadas mais profundas da pele. Alguns produtos podem ser utilizados,
sendo recomendada a remoção das crostas antes da aplicação.
Não se deve esperar por uma boa resposta ao tratamento tópico,
principalmente se as condições de meio são adequadas
para a disseminação da doença. Em termos gerais, os
melhores resultados são obtidos durante o tempo quente e seco (Blood
& Henderson, 1978).
5.9 Referências Bibliográficas BELSCHNER, H.G.; MARSHALL, E.F. Cattle diseases. 5.ed. Sydney : Angus & Robertson, 1984. 378p. BLOOD, D.C.; HENDERSON, J.A. Medicina veterinária. 4.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 1978. 871p. MANUAL MERCK DE VETERINÁRIA. Um manual para o diagnóstico, tratamento, prevenção e controle de doenças para o veterinário. São Paulo : Roca, 1991. 1803p. RISTIC, M.; McINTYRE, I. Diseases of cattle in the tropics. The Hague : Martinus Nijhoff, 1981. 662p. 5.10 Bibliografia consultada LLOYD, D.A.; HAWKINS, J.P.; PRAGNELL, J. Efficacy of long action oxytetracycline in the treatment and control of bovine dermatophilosis. Veterinary Dermatology, Elmsford, v.1, n.2, p.79-84, 1990. |
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