Campo Grande, MS,
out. 2000 no 38
ISSN 1516-5558
ESTILOSANTES
CAMPO GRANDE
Embrapa Gado de Corte
O QUE É
O estilosantes Campo Grande é uma mistura
de duas espécies de leguminosas, Stylosanthes capitata e S. macrocephala,
coletadas em solos de Areia Quartzosa e de baixa fertilidade, remanescentes
de experimento anterior, que, após vários multicruzamentos,
teve sua seleção definida.
O Campo Grande é um composto de duas espécies
forrageiras: o Stylosanthes macrocephala, que possui um crescimento mais
horizontal, com folhas pontiagudas e flores, na sua maioria, amarelas;
e o Stylosanthes capitata, que possui hábito de crescimento mais
vertical, com folhas mais arredondadas e flores que variam da cor bege
ao amarelo. Ambas as espécies podem chegar a mais de um metro de
altura e seu florescimento ocorre nos meses de abril a maio, respectivamente,
e a principal característica da sua persistência é
a ressemeadura natural, já que as suas plantas são predominantemente
anuais e bianuais.
PARA QUE FOI DESENVOLVIDO O CAMPO GRANDE?
Um dos maiores problemas enfrentados na pecuária
de corte é a degradação das pastagens e o seu alto
custo de manutenção, principalmente pela necessidade de uso
de fertilizantes químicos nitrogenados, obtidos a partir do petróleo,
recurso não-renovável, e custo comercial elevado.
O estilosantes é uma forrageira rica em
proteína e executa uma função importante de transformar
o nitrogênio encontrado na atmosfera e fixá-lo biologicamente
no solo, reduzindo os investimentos em insumos agrícolas, contribuindo
para a redução dos impactos ambientais e possibilitando maior
ganho de peso nos animais.
QUAIS AS VANTAGENS DE SE PLANTAR O CAMPO GRANDE?
Além das características de bom fixador
de nitrogênio no solo e seu alto teor protéico, o estilosantes
Campo Grande possui ainda:
-
grande adaptação a solos arenosos e
de baixa fertilidade;
-
alta produtividade de sementes;
-
alta capacidade de ressemeadura natural;
-
boa capacidade de persistência em consorciação
com Brachiaria decumbens;
-
boa digestibilidade;
-
tolerante a desfolha natural e
-
ambientalmente correto.
COMO PLANTAR O ESTILOSANTES CAMPO GRANDE
Na consorciação, a taxa de semeadura
do estilosantes Campo Grande deve ser de 2 quilos por hectare a 2,5 quilos
por hectare de sementes puras viáveis (SPV) e, a das gramíneas
(capim), é reduzida em 20% a 30%.
As sementes de estilosantes são pequenas
e a profundidade de plantio não deve ser maior do que 2 centímetros.
No entanto, com gramíneas que não toleram plantios mais profundos
do que 4 centímetros, como Andropogon gayanus, recomenda-se a distribuição
a lanço das duas forrageiras, seguida de compactação
com rolo.
Para outras gramíneas dos gêneros
Brachiaria e Panicum, que germinam em plantios mais profundos (3 centímetros
a 5 centímetros), pode-se fazer a semeadura da gramínea a
lanço e incorporar as sementes com uma grade niveladora, em abertura
média; logo após, semear a leguminosa, também a lanço,
na superfície e compactar. Outros processos, como a semeadura com
semeadeira-adubadeira, com plantio superficial ou com o uso de semeadeira,
também podem ser utilizados, observando-se sempre as recomendações
técnicas.
O espaçamento comum para equipamentos mais
tradicionais deve ser de 30 centímetros a 40 centímetros
entre as linhas; para equipamentos mais modernos, que apresentam caixas
independentes por linha, o plantio pode ser feito em linhas alternadas
de 20 centímetros a 30 centímetros da gramínea e da
leguminosa.
Na utilização do Campo Grande, na
recuperação de pastagens devem-se considerar duas situações
básicas. A primeira, quando a recuperação é
realizada com o preparo total do solo, onde a leguminosa é semeada
a lanço ou em linhas e a gramínea retorna espontaneamente
do banco de sementes existentes no solo. A segunda, é a introdução
sobre pastagens em plantio direto. Essa prática é mais recomendada
em pastagens em início de degradação.
Na recuperação de pastagens, os
pastejos devem ser iniciados 30 a 40 dias após o plantio e, no plantio
de pastagens novas, de 40 a 50 dias após a semeadura, visando controlar
o excessivo crescimento da gramínea.
MANEJO E GANHO ANIMAL
É recomendável que a gramínea
não cresça muito, deixando espaço para que o Campo
Grande se desenvolva.
Nos meses de outubro a dezembro, período
de crescimento e estabelecimento de gramíneas, os pastejos devem
ser mais intensos a fim de que surjam novas plantas por ressemeadura natural.
No final do período de chuvas e durante o outono, o pastejo deve
ser mais leve contribuindo para a produção de sementes e
maior oferta de forragem no período seco.
O ganho animal nas consorciações
é de 20% a 30% maior do que na gramínea pura sem adubação
nitrogenada.
INFORMAÇÕES
Maiores informações no comunicado
técnico nº 61 "Estilosantes Campo Grande: estabelecimento,
manejo e produção animal"
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